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Tudo sobre Scale-ups com o especialista da Endeavor, Luis Franco

O que são Scale-ups? Qual a relação delas com o marketing digital? Como anda o cenário de empreendedorismo brasileiro? Prometo que você saberá as respostas para todas essas perguntas até o fim deste conteúdo! 

Mas antes, alguns dados que vão te ajudar. Segundo o estudo EACs (panorama das Empresas de Alto Crescimento), há, no Brasil, 2,5 milhões de empresas ativas, sendo que apenas 340 mil sobrevivem e 26 mil crescem consistentemente.  

Com essa diferença gritante, você já parou para pensar o que é feito para aumentar o número de empresas sobreviventes e consistentes no mercado?   

Felizmente, há algumas organizações que são responsáveis por apoiar e estimular o crescimento de empreendedores de alto impacto, mobilizando o poder público para criar ambientes favoráveis, como é o caso da Endeavor, uma organização global sem fins lucrativos, que busca multiplicar o poder de transformação dos empreendedores há 18 anos, no Brasil.  

Ela promove um ambiente benéfico para o crescimento de Scale-ups e empresas de alto crescimento com modelo escalável e inovador. Ao todo, foram mais de R$4,5 bilhões de receitas anuais, 45 mil empregos diretos gerados e 600 Scale-ups aceleradas pela Endeavor. 

Tivemos o prazer de entrevistar Luis Felipe Franco, gerente de aceleração da Endeavor, para abordar o tema e trazer informação com quem mais entende do assunto. 

Aproveitamos para agradecer imensamente ao Luis, que deu uma atenção super especial para a Ekryp e compartilhou um conteúdo riquíssimo com a nossa audiência.  

Acompanhe a entrevista e anote seus insights!   

K: Conta um pouco sobre sua trajetória profissional até chegar na Endeavor! 

L: Sou formado em engenharia mecânica pela USP São Carlos, mas trabalho como gerente de aceleração na Endeavor há três anos. 

Antes disso, trabalhei na Siemens e em algumas empresas locais lá de São Carlos, depois trabalhei cinco anos empreendendo um negócio de gestão de projetos, até começar na Endeavor. 

Hoje sou responsável por todos os programas que a gente tem de aceleração de Scaleups. Foram 235 empresas aceleradas em 2018 que, juntas, somam mais de 500 empreendedores que faturam, em média, R$13 milhões, com crescimento anual médio de 60%.  

Basicamente, nós temos programas de mentorias que essas empresas passam ao longo de sete meses, para que a gente identifique qual o maior gargalo de crescimento delas, conecta com os mentores que mais conhecem o assunto e, através de trocas entre o próprio grupo e da mentoria semanal one on one, é que a gente promove e provoca o alto crescimento desses negócios.  

Então, a gente fala que é um programa de aceleração, mas é muito mais do que isso. É um programa que potencializa o crescimento dessas empresas de alto impacto. 

K: O que são empresas Scale-ups, quais as principais características e comportamento delas? 

L: Scale-ups é um termo que vem sendo muito usado e que a Endeavor vem disseminando muito! São empresas que já passaram pela fase de Startup e que já encontraram o produto que tem o fit de mercado – Product Market Fit.  

A partir disso, o grande desafio delas, agora, é transformar esse produto que tem uma aderência de mercado, em algo que seja vendido para muita gente, que tenha acesso para muitas pessoas ou organizações.  

Então, as Scaleups são empresas de alto crescimento, baseadas em modelos escaláveis, que tenham potencial de impactar o mercado, gerando receita e novos postos de trabalho. 

K: Assim como ilustrou no RD Partner Day, as Scale-ups passam por estágios de crescimento organizacional. Qual deles você considera o mais ”difícil de sobreviver”?  

L: Eu diria que não existe o mais difícil. A gente costuma falar que o mais difícil é aquele que a empresa está passando neste momento. Mas os desafios vão mudando e se transmitindo de formas diferentes. 

Então, por exemplo, nós vemos empresas que são new ventures, ou seja, que estão começando a vida, que são muito mais frágeis do que empresas mais maduras. Elas têm pouco acesso a capital, poucos recursos financeiros, poucas pessoas, recursos humanos extremamente limitados, não têm ainda um produto com uma viabilidade de mercado e uma aderência de mercado tão clara.  

Então, eu diria que, nos estágios iniciais, as chances de sobrevivência são menores. Fazendo uma analogia com uma pessoa que está no começo da vida, que ela demanda muito cuidado na fase inicialvocê precisa estar muito próximo, alimentar e ter máximo de cuidado. O mesmo acontece com essas empresas menores, que precisam desse cuidado maior no início, tanto que as taxas de mortalidade de empresas new ventures são muito altas! 

K: Qual é a sua opinião sobre as 26 mil empresas no Brasil que acabam não crescendo consistentemente? 

L: Não são, necessariamente, só os desafios do crescimento que limitam o crescimento das empresas. Notamos que há, também, um lado muito importante de ambição do empreendedor, dele querer fazer um negócio grande, querer fazer um negócio que tenha um alto impacto na sociedade. 

Então, nós temos estudos aqui que demonstram como é nosso empreendedor brasileiro. Ele não, necessariamente, tem essa vontade de fazer um grande negócio e isso acaba impactando diretamente nesse crescimento e nas taxas de muitas empresas, que não estão crescendo consistentemente. 

K: Com base em sua experiência na Endeavor, o que você acha que falta para o mercado empreendedor do Brasil?  

L: Nós vemos que o mercado brasileiro, hoje, está florido, com muito mais empresas Startup, Scaleups, agências digitais – como no caso de vocês. Esse é um mercado que, há cinco, dez anos atrás, não poderíamos imaginar que seria tão florido assim!  

Mas, se eu pudesse falar, diria que falta, na minha visão, muito preparo dos empreendedores, para que tenham, realmente, a busca em se capacitar antes de abrir um negócio. Além disso, destaco importância da ambição, que eu falei na resposta anterior, que os empreendedores queiram realmente fazer negócios que vão impactar a sociedade. 

K: Na sua opinião, como o cenário atual da revolução digital influencia no universo das Scale-ups 

L: A influência é muito direta, porque nós vemos que, hoje, devido ao acesso à tecnologia cada vez mais fácil, acesso à velocidade de processamento, à cloud computing, à inteligência artificial e diversas outras ferramentas, há um impacto direto nos novos modelos de negócio.  

Então, cada vez mais a Endeavor acredita fielmente nisso, que dificilmente veremos negócios que não tenham no seu core business tecnologias digitais atreladas. 

K: Qual é o papel do marketing digital nesse cenário?  

L: O papel do marketing digital nesse cenário é que cada vez mais os negócios, tendo um viés digital e tecnológico, vamos precisar nos relacionar de uma maneira cada vez menos física e mais digital, com os produtos, serviços e empresas.  

Então, eu acredito muito que o marketing digital vai ser parte dessa evolução e vai precisar evoluir conforme as tendências, inovações e tecnologias vão surgindo. 

K: Se pudesse dar uma dica de ouro para empresas que estão no estágio new venture, qual dica você daria?  

L: Foco, foco, foco e foco! Escolha muito bem o problema, não se apaixone pela solução! Escolha muito bem o problema que você quer resolver e teste milhares de hipóteses, até você achar aquela que faz muito sentido! Então, foco na resolução do problema! A partir do momento que você achou como resolver esse problema, escale essa solução e injeta muito capital para que você consiga levar essa solução à mão de muita gente. 

Mais uma vez, obrigada ao Luis e até a próxima!  

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